MEDICINA 2.0

Reflexões sobre uma patologia da sociedade da informação
 

Rafael Capurro



 

Contribuição ao II Seminário Internacional de Informação para a Saúde. SINFORGEDS 2012, Fortaleza (Brasil), 21-23 Maio, 2012 (PowerPoint).  247):  V. Bentes Pinto, H. Campos (Org.) Diálogos paradigmáticos de informação para a área da saúde. Fortaleza: Edições UFC, 2013. Versão original em espanhol: Humanitas, No. 47, Febr. 2010 (HTML). English version (enlarged).


 

Resumo

O artigo analisa o impacto das tecnologias digitais de informação e de comunicação (TIC) na medicina como ciência prática e propõe um marco antropologico para a análise de uma patología da sociedade da informação. As mudanças tecnologicas que levam a uma medicina 2.0 se dão em distintos níveis no que respeita a sobrecarga informativa, a relação médico-paciente, a autocomprensão do médico e do paciente assim como a visão do corpo humano e dos conceitos de doença e saúde. Tendo em vista uma elaboração futura de uma patologia da sociedade da informação se propoe um marco antropologico baseado em conceitos desenvolvidos pelo médico e psiquiatra Suizo Medard Boss mostrando com alguns  exemplos uma análise sistemática possível desta patologia. O artigo conclui propondo pautas para um delineamento ético da medicina 2.0 como orientação para a prevenção  e a terapia na sociedade da informação.




 


INTRODUÇÃO

Neste artigo me proponho em primeiro lugar fazer uma descrição breve da sociedade da informação mostrando o seu impacto no que poderíamos chamar a medicina 2.0. Em um segundo momento apresento um possivel marco antropologico, não antropocentrico, para uma possivel elaboração sistemática de uma patologia da sociedade da informação. Tal marco deve ser revisado criticamente em relação a outras culturas e formas de saberes curativos como as culturas do distante oriente ou as diversas culturas africanas ou latinoamericanas – assim como as varias possibilidades e necessidades de 'enculturar' as técnicas digitais em distintas sociedades, com as mudanças conseqüentes das estruturas e dos serviços médicos que, como todos nós esperamos, teria que melhorar, quer dizer, adaptar-se às necessidades e às expectativas do que hoje nós denominamos, muito superficialmente, com termo (no singular) de sociedade da informação.

Em meados da década de 60 do último século passado aparece o termo sobrecarga de informação ou 'sobrecarga informativa' no contexto da comunicação cidadão (Levy 2008, Meier 1962). Mas é o escritor Alvin Toffler que o usa em 1970 com relação à sociedade da informação (Toffler 1970). Toffler indica que os processos perceptivos e cognitivos estão sobrecarregados pelos avanços tecnológicos que levam a uma transformação da sociedade industrial. Esta tese é confirmada pela neurociencia atual ao menos em que se refere aos limites cognitivos cerebrais (Klingberg 2009).


Nos anos 70 também se usava o termo 'explosão da informação' na área de  biblioteconomia e documentação para se referir ao crescimento exponencial das publicações científicas sendo este um problema que surge com a imprensa no século XVI e se expande a partir do século XIX quando a ciência moderna vai se transformado em um instrumento essencial do desenvolvimento industrial assim como do poder político e militar (Levy 2008, 505). Ortega y Gasset em diversos ensaios mostram a transformação democrática da sociedade moderna com base na imprensa (Ortega 1962, 1965, 1976; Capurro 2002). O impasse provocado pela explosão da informação leva a buscar soluções baseadas no uso da computação culminando  rapidamente com a criação de bases de dados bibliográficos e de servidores como o DIALOG por volta da década de setenta do século passado, as quais eram uma prefiguração do que hoje poderíamos chamar a ‘sociedade de Google’. Na década de 80 começa a ser utilizado o termo ‘ecología da informacão’ (Capurro 1990). Desde 2008 existe um grupo de pesquisa denominado “sobrecarga de informação. Reduzindo a poluição da informação” (IORG 2008). No começo do século XXI surgem novas formas de interação digital social que aceleram a sobrecarga informativa em todos os âmbitos a nível local e global.

Assim como a sociedade industrial produziu e continua produzindo um conjunto de fenômenos patológicos cujas conseqüências estamos experimentando, em parte atrasado, nas crises sociais, econômicas, energéticas e climáticas nos últimos anos, assim também – e esta é a tese que  esse texto aponta a assim chamada  sociedade da informação e do conhecimento traz consigo uma patologia que eu acredito estamos longe de fazer uma análise crítica e sistemática em vários níveis um dos quais diz respeito a medicina.

Este assunto é complexo não somente no que diz respeito ao impacto das TIC na pesquisa médica, mas, também, com relação às mudanças na interação entre o médico (eu uso o termo incluindo o gênero feminino) e o paciente. Também o é com respeito às terminologias e as formas de intercâmbio e o acesso aos saberes, medicamentos e práticas curativas e  preventivas
tanto por parte dos pacientes como dos médicos e das instituições de saúde pública bem como os poderes que apregoam a  justiça social tanto dentro de uma sociedade, bem como entre diferentes sociedades em um mundo digitalmente globalizado. É previsível que o aspecto da justiça social em tudo o que está relacionada à medicina 2.0 vai se aguçando tanto no seio das sociedades mais ricas e tecnologicamente avançadas como entre estas e outras nações ou regiões do mundo.

É claro que um estudo sistemático da(s) do patología(s) da(s) sociedade(s) da informação não pode ser limitado para diagnosticar as causas de alguns fenômenos como o estresse que está sendo cada vez mais pressionado seja provocado por formas de sobrecarga informativa tanto na vida diária quanto no mundo do trabalho que a diversas formas de disturbios orgânicos e psíquicos, assim como a uma crise não somente das empresas, mas também das relações sociais diárias, incluindo os sistemas de ensino.


I. MEDICINA 2.0


    Embora que toda sociedade humana assim como todo o ser vivo vivam em um permanente intercâmbio energético-material assim como de informação com o meio ambiente, é claro que dito intercâmbio no caso dos seres humanos se realiza também em e por meio da línguagem com suas características sintáticas, semânticas e pragmaticas, que nos possibilitam uma grande variedade de interpretações e de ações que são a base do que comumente entendemos como a liberdade. Neste ámbito de possibilidades teóricas e práticas se encontra hoje, e em particular desde meados do século pasado, influenciado profundamente pelas TIC. De acordo com Michel Foucault quatro tipos de tecnologias podem ser distintas:

a) tecnologías de produção que nos permitem produzir, transformar e manipular objetos,

b) tecnologías de sistemas de signos que nos permiten usar signos, símbolos e significados,

c) tecnologías de poder que determinam a conduta dos individuos submetendo-os  a diversos fins de dominação e objetivação, e finalmente

d) tecnologías do Eu (“technologies of the self”) que posibilitam aos individuos “já sejam por si mesmos ou com ajuda de outros uma série de operações com seus corpos e almas, seus pensamentos, suas condutas e maneiras de ser a fim de conseguir certos estados de felicidade, pureza, sabedoria, perfeção ou imortalidade.”  (Foucault 1988, p. 18, minha tradução)[1].

Seguindo a linha de pensamento de Foucault na sociedade da informação as tecnologías digitais de sistemas de signos, ou seja as TIC, estão em estreita relação com as “tecnologias do eu” como o estiveram e seguem estando as tecnologias clássicas de signos como foram a linguagem falada, a escritura e a imprensa (Capurro 1995, 2003). Ditas tecnologías influem na forma cada vez mais profunda tanto nas tecnologías de poder como nas de produção sendo por exemplo a industria automotriz um caso exemplar desse processo cada vez mas avançado de automatização  com base nas TICs em geral à robótica em especial. Com outras palavras, vivemos numa sociedade cujo horizonte de entendimento de si mesma e de suas possibilidades de saber, produzir e atuar estão basicamente condicionadas pelo meio digital. Chamo a esta posibilidade de autocompreenssão desde e por meio das TICs ontología digital (Capurro 2010, 1999).


I.1 Caracteristicas da sociedade da informação


    A sociedade da informação atual pode caracterizar-se por quatro perspectivas que são em si mesmas paradoxais.

a)     Sobrecarga informativa

A primera é a que viemos expondo na introdução ao referirnos a sobrecarga informativa. Digo que é esta uma característica paradoxal porque, estritamente falando, não pode existir sobrecarga de informação posto que a informação é sempre produto de um processo de seleção com vista do que atualmente acreditamos precisar. O paradoxo consiste em que a quantidade de informação potencial acessivel traz consigo um aumento de selecções possíveis. Viver numa sociedade onde a informação potencial e suas possíveis seleções são abundantes nos cria então um problema com relação, por exemplo, a critérios de veracidade, relevancia e qualidade.

b)    Interatividade

A segunda característica da sociedade da informação atual é a interactividade. Ela nos diferencia em especial da sociedade da informação criada pelos meios de comunicação de massa com sua estrutura hierárquica que faz do sujeito um usuario receptivo. A interatividade que tem sido desenvolvida em forma vertiginosa desde o surgimiento da Internet com serviços como o World Wide Web, o correio electrónico, as bitácoras, a Wikipedia e outros instrumentos de socialização digital são um claro exemplo de um aumento de possibilidades de ação e seleção e, por tanto, de liberdade individual e coletiva. Contudo, paradoxalmente alguns destes serviços têm com freqüência a característica de serem difíceis de controlar podendo ser instrumentalizados para todo tipo de atividades com intenções potencialmente daninhas e inclusive destruidoras, como são por exemplo os vírus ou SPAM.

c)     Autodefinição

Em terceiro lugar a sociedade da informação tem aberto um grande campo de possibilidades de autodefinição individual e coletiva no meio digital se sobrepondo as estruturas políticas, sociais e culturais enraizadas em localidades geográficas assim como em tradições culturais.  Estes condicionamentos locais não desapareceram, muito pelo contrário,  se encontram por sua vez num processo de transformação acelerado em muitos casos pelos diversos tipos de interação global

d)    Base material

Finalmente a sociedade da informação é uma sociedade que se autodefine no horizonte da digitabilidade, mas ao o fazê-lo deve tomar consciência de que o entendimento digital da realidade não é igual realidade mesma ou, para dizê-lo em outros termos, que a cultura digital em suas diferentes formas possíveis tem uma base material específica e que seus produtos, desde as matérias primas mesmas até os processos de produção, uso e reciclagem, estão necessariamente ligadas a processos tanto biológicos como sociológicos tendo com freqüência características positivas e negativas já que podem ser extremamente nocivas para o meio ambiente e a saúde daqueles que fazem uso das TICs para melhorar suas vidas. O debate ecológico sobre a materialidade da sociedade da informação é muito atual devido à sobreprodução de lixo eletrónico e a sua frequente exportação a países em vias de desenvolvimento (Faulhaber e Zehle 2009). Isso tem consequências para a concepção e a saúde do corpo humano como o veremos imediatamente. O paradoxo consiste então que ao mesmo tempo que surge uma esfera de interação digital aparentemente separada da realidade física espaço-temporal  – baste recordar a declaração da independência do cyberspaço por John Perry Barlow en 1996 (Barlow 1996) – esta esfera não só se entrecruza ou ‘hibridiza’ com o assim chamado mundo real, senão que em último termo tem sua origem e repercute ecologicamente nesse mundo real material com consequências graves para a saúde humana e a proteção ambiental.


I.2 Por uma transformação da medicina
 


    Sem pretender que estas características da sociedade da informação sejam exaustivas, é claro que implicam também uma transformação da medicina. Em um recente número da revista International Review of Information Ethics (IRIE) dedicado as TICs e a ética médica, Georg Marckmann, pesquisador do Departamento de Ética da Medicina da Universidade de Tübingen, e Kenneth Goodman, Director do Programa de Bioética da Universidade de Miami, fazem os seguintes questionamentos  sobre o futuro da medicina em geral e da relação médico-paciente em particular no horizonte de uma cultura digital:

“¿Quais são os usos apropriados dos sistemas de informação de saúde?

¿Quem deveria usar ditos sistemas?

¿Que benefícios e que riscos têm estas tecnologias para os pacientes?

¿Como a tecnologia da informação muda a relação entre médico e paciente?

¿Como muda (e mudará) a tomada de decisão médica?

Talvez mais fundamentalmente: ¿Como a tecnologia da informação transforma (e transformará) a construção médica do corpo humano e da doença?” (Marckmann e Goodman 2006, 3, minha tradução)

Essas questões definem o âmbito do que chamo a Medicina 2.0; isto é uma mudança pragmática  da mesma abarcando sua visão do corpo humano como objeto de investigação e os correspondentes conceitos de saúde e doença. Volto a este tema na segunda parte. Nos deteremos a refletir brevemente sobre algumas possíveis consequências da sociedade da informação tal como a temos caracterizado.

a) A sobrecarga informativa na medicina


Em primeiro lugar temos o aspecto da sobrecarga informativa que afeta tanto a médicos como a pacientes e naturalmente à pesquisa médica mesma. Médicos e pacientes enfrentamos o paradoxo de uma incrível quantidade de informação disponível sobre, por exemplo, uma determinada doença sem com freqüência poder diferenciar e seleccionar de acordo à qualidade e ao caso concreto. Isto pode levar a uma desorientacão do paciente mas também a uma perda de „poder“ do médico no caso do paciente ser uma pessoa bem informada.


Algo semelhante acontece com a sobrecarga informativa na pesquisa  e na prática médica. Pensemos, por exemplo, na ‘medicina baseada na evidência’ que em sua tendência a basear a relevancia informativa exclusivamente na evidência empírica pode perder informação baseada em outros paradigmas teóricos. A sobrecarga informativa tem ademais grande influência no ensino da medicina, tanto em estudantes como professores, sendo esta uma situação geral no ensino superior. A indústria farmacêutica e seus mediadores como as farmácias e os médicos mesmos, têm cada dia mais consciência do complexo meio digital com seus paradoxos de abundância e necessidade de seleção. Esta situação influi necessariamente tanto na tomada de decisão do médico como também na do paciente ao que aludem Marckmann e Goodman.


b) A relação médico-paciente


Consideremos em segundo lugar o aspecto da interatividade que afeta diretamente a relação médico-paciente tanto no entorno dos consultorios (privados) como de hospitais. É claro que uma geração de „nativos digitais“, como se costuma chamar àqueles  que nasceram no meio da sociedade da informação digital interativa, não pode se imaginar, por exemplo, um hospital que não lhes ofereça um sistema interativo de informação ao paciente que se perceba a si mesmo também como agente no sentido que espera poder relacionar-se interativamente com a equipe médica, informar-se sobre sua enfermidade, seu processo de convalescencia etc. O que hoje em dia encontra geralmente em seu apartamento/enfermaria é – um aparelho de televisão. Ademais em muitos casos  é solicitado que se assine um conscentimento livre-esclarecido, com independência do que deverá  ser um sistema interativo de relação médico-paciente oferecendo ao paciente, por exemplo, uma seleção de informação personalizada, relevante e de qualidade que ele possa usar ou não fazendo uso de seu direito a saber ou a não saber. Marckmann e Goodman questionam com razão: “¿Quais são os usos apropriados dos sistemas de informação de saúde? ¿Quem deveria usar tais sistemas? ¿Que benefícios e que riscos têm estas tecnologias para os pacientes?

c) Privacidade e segurança

É claro que os processos interativos estão intimamente relacionados à privacidade e, conseqüentemente, com todos os aspectos relacionados à segurança do paciente, ou seja, contra o uso malintencionado de seus dados ("segurança") - e quando estes resultem ter inadivertidamente más consequencias („safety“)- sendo isso algo que diz respeito tanto ao pessoal médico como tambem da instituição envolvida. Finalmente, deve-se ter em mente que as  redes digitais interativas permitem novas relações entre os próprios pacientes, o que muitas vezes é um importante apoio social que pode, paradoxalmente, levar a uma maior confusão, por exemplo, em caso de mal-entendido ou informações aparentemente suficientes que leva a conclusões práticas errôneas.


I.3 Ser médico e paciente no século XXI

A sociedade da informação tem consequências em termos de auto-definição e auto-compreensão tanto por parte do médico como também do paciente. Dissemos anteriormente que os pacientes são igualmente agentes ou seja que podem e deveriam serem vistos como tal em diferentes graus e de acordo com diferentes situações. Também é claro que há, por assim dizer, mais ou menos pacientes passivos ou „televisivos“, dependendo, também, de seus interesses, situações e escolhas, assim como há médicos que preferem manter sua ciencia para si mesmo e não compartilhar seu conhecimento com um processo de cura interativamente com o paciente se não é com base a uma simples visita diaria ou um pedido de uma assinatura de consentimento informado por qualquer eventualidade sendo o tal consentimento um instrumento que sustenta o poder do médico ou que muitas vezes serve como proteção para evitar entrar em discussões com o paciente que leva tempo e paciência.

a) Medicina personalizada


Além disso, há muitos anos, a tecnologia digital revolucionou a ciência médica, tanto no que diz respeito ao diagnóstico, como também nos métodos de cura. A tendencia, que se prevé, por exemplo, em relação com a nanomedicina, é a de una medicina personalizada, na qual a relação médico-paciente se inclina cada vez mais para o lado do paciente, que passa a ser asiím um agente com  uma autonomía que, paradoxalmente, em muitos casos pode resultar muito mais um problema do que em uma solução, enquanto que  frequentemente sua capacidade de interpretar corretamente os dados relacionados ao seu caso é muito limitada (EGE 2007). É claro que esse  desenvolvimento da medicina  da relação médico-paciente também pode resultar em sistemas de controlo baseados, por exemplo, em implantes TIC que implica, paradoxalmente, uma perda (potencial) da autonomia do paciente assim como uma sobrecarga informativa do mesmo de ditos dados não sejam totalmente claros, particularmente no que diz respeito a possiveis consequências por parte do paciente / agente. (EGE 2005). Estariamos assim começando a, portanto, a responder à pergunta Mackmann e Goodman: Quando perguntado, "Como mudar (e mudará) a tecnologia da informação na relação entre médico e paciente?"
 

b) O corpo humano na perspectiva digital


Refletimos finalmente sobre a influência da sociedade da informação na visão médica do corpo humano e dos mesmos conceitos de saúde e de doença sob a premissa da ontología digital que me referi anteriormente, somente compreendemos algo na medida em que somos capazes de observá-lo do ponto de vista digital. Isto significa que o corpo humano é visto essencialmente como um conjunto de dados digitalmente, obtidos, manipulados e controlados com base nos métodos, instrumentos e/ou de redes digitais. Isto tem conseqüências evidentes  em que concerne a relação médico com o corpo humano incluindo a necessidade da proteção legal de ditos dados  transformando o  “corpus” do clássico “Habeas corpus”, em um “Habeas dado” (EGE 2005, 29). Esta visão digital do corpo humano abre também as possibilidades de transformação dele além dos tratamentos médicos com base nas técnicas digitais, incluindo formas de hibridização corporal e digital como são, por exemplo, os implantes TIC (EGE 2005) assim, como possíveis melhoras (“realces”) das faculdades e/ou processos corporais, sensoriais, cognitivos e emocionais. Os conceitos de saúde e de doença são por sua vez considerados também como processos da informação.


O mesmo corpo humano já não é mais visto como algo perfeccionável dentro de determinadas características naturais mais ou menos fixas - embora haja variações relacionadas às épocas e às culturas com respeito a determinados “ideais” - e com base em procedimentos convencionais, mas como algo pode ser projetada com o exatidão que permite a tecnologia digital em conjunção, por exemplo, com a biologia molecular, de acordo com interesses individuais com eventuais conseqüências para as gerações futuras no caso em que essas  transformações sejam hereditárias. Os limites legais em vigor atualmente  no que diz respeito à proibição de alterações no genoma humano mostram ex negativo essas possibilidades de interação entre processos biológicas, opções individuais e sociais possiveis e a avançada tecnologia digital do século XXI.


II. NOTAS PARA UMA PATOLOGÍA DA SOCIEDADE DA INFORMAÇÃO

 
    Uma antropologia filosófica digna deste nome que sirva de orientação à medicina 2.0 e uma patologia da sociedade da informação devem levar em conta a perspectiva da técnica digital na relação estreita com outras tecnologias como a nanotecnología, a biotecnologia, em especial a biologia sintética especial, e as tecnologias relacionadas aos processos cerebrais. Este marco tecnológico pressupõe também uma visão do ser humano no processo de autodefinir-se  e transformar-se por meio dessas tecnologias.

II.1 Fenomenologia do existir humano

    Nessa perspectiva tecnológica o ser humano é visto como algo fixo, mas por definir desde um horizonte ou de uma definição que se resista a ser identificada como um fundamento ou uma essência permanente ou absoluta. Ao mesmo tempo é inegável que a existência humana se manifesta com uma série das características que justamente possibilitam esta abertura e intercambio em toda a variabilidade de autocompreensões e opções, ademais levando em conta o imprevisível dos processos científicos e tecnológicos não menos do que as circunstancias históricas e os condicionamentos culturais que influenciam o incluso  determinam singularidades individuais e coletivas. Percebidas assim, o universal e o singular não são algo contraditório, mas aquela sua tensão caracteriza exatamente a história das auto definições humanas em toda sua variedade.

Pretendo a seguir levantar um patologia da sociedade da informação a partir de uma  fenomenologia do existir humano inspirada na obra do psiquiatra suíço  Medard Boss (Boss, 1975) que por sua vez desenvolveu uma visão uma medicina confrontada com a sociedade industrial no diálogo com a filosofia de Martin Heidegger (Heidegger, 1976). É evidente que esta visão necessita uma revisão no marco teórico da sociedade da informação[1].


Uma antropologia filosófica digna deste nome que sirva de orientação à medicina 2.0 e uma patologia da sociedade da informação devem levar em conta a perspectiva da técnica digital na relação estreita com outras tecnologias como a nanotecnología, a biotecnologia, em especial a biologia sintética especial, e as tecnologias relacionadas aos processos cerebrais. Este marco tecnológico pressupõe também uma visão do ser humano no processo de autodefinir-se  e transformar-se por meio dessas tecnologias.


II.2 Compartilhar o mundo


    A sociedade da informação atual mostra que os seres humanos compartilham um mundo comum atualmente globalizado com base na rede digital. Este conceito de compartilhar o ser-com-os-outros, chamo classicamente intersubjetividade, tem uma larga trajetória filosófica. Mas é em especial a fenomenologia quem mostrou que a sociedade humana não é uma soma de indivíduos isolados, originalmente encapsulados em sua subjetividade como pensou Descartes, o pai da modernidade, mas que dita subjetividade não é concebível se não estiver originalmente em relação com outros seres humanos em um mundo comum.

Com o titulo 'fenomenología' estou me refirindo a todo um conjunto de autores e correntes que se originam, particularmente, no pensamento de Edmund Husserl, mas que se remontam a Hegel. A fenomenologia tem mostrado que além da interdependência social originaria há uma interdependencia não menos originaria com um mundo compartilhado sendo este tanto um mundo natural o 'dado' como artificial, criado pelo homem os quais se encontram intimamente entrelaçado. O aparente 'dado' está sempre incerto em determinados contextos e nas necessidades vitais.

Evidentemente que na sociedade da informação atual este ser-com-os-outros é profundamente influenciado pelas redes sociais digitais interativas como o foram também pela escrita, a imprensa ou os meios de comunicação de massa. Os efeitos sociais tanto normais como patológicos deste ser-com-os-outros-na-rede começam se manifestar gradativamente por exemplo em forma da adição a Internet considerada superficialmente como uma 'doença mental', mas que pode ter além conseqüências orgânicas. A rede digital se apresenta como um espaço em que rege o imperativo moral “¡comunica tudo a todos!” que pode levar a atitudes exibicionistas ou de voyerismo pervertendo assim as possibilidades positivas da comunicação interativa e independente como pode ver no caso das doenças como Sida/Aids (Capurro 2009a).


II.3 Viver no tempo e no espaço

    O existir humano está qualificado, além disso, por uma relação peculiar com o espaço e o tempo. Nossos estar-no-espaço e no-tempo é tal que nós podemos estar com pessoas ou coisas distantes sem nenhuma necessidade de nos aproximarmos fisicamente delas. Vivemos em uma temporalidade tridimensional de passado, presente e futuro, por oposição a uma temporalidade linear em que os vários momentos do agora são iguais uns aos outros e onde o passado não existe mais e o futuro não existe (ainda). O que é peculiar da existência humana temporal, ainda é também o caso de outros animais em diferentes graus, em especial devido à falta de capacidade simbólica
é justamente que ele tem sido de alguma forma (através da linguagem) é e também o é o poder ser. O ser do futuro permite-nos, por exemplo, ter tempo para algo, quer dizer dar um sentido ao tempo. A temporalidade humana tem uma certa extensão, como quando dizemos, por exemplo, que esta tarde teremos tempo para estar com os amigos. É claro que a sociedade da informação e, em especial, as experiências deslocação espaço-temporal que nos permitem instrumentos como o telefone celular conectado, a internet tem uma profunda influencia sobre essa característica da existência humana. Talvez um dos fenômeno mais discutidos neste campo é o de défict de atenção ou hiperatividade que pode ter muitas causas, também orgânicas, porem que em muitos casos se encontram acentuadas sobretudo em crianças e jovens por uma forma especial de sobrecarga de comunicação digital podendo levar a distorções psíquicas e orgânicas.

II.4 Memoria e historia

    A capacidade de poder relacionarmos com o haver sido é o que geralmente chamamos de memória que é a base da historicidade humana, quer dizer a possibilidade de transformar nossa existência individual e coletivamente. A sociedade da informação coloca a nossa disposição um meio praticamente ilimitado de processamento, armazenamento, distribuição e recuperação de informação, cujas características foram analisadas na primeira seção. Assim como no caso de outros meios extracorporais de cor, eles pressupõe a capacidade de lembrança e selecção que se encontra com freqüência perturbada pelo que chamávamos sobrecarga informativa.

Ao mesmo tempo, o acesso global a fontes de informação e a interatividade tem mudado fundamentalmente. As possibilidades de memória  e historicidade sempre e quando dito acesso com todos seus condicionamentos técnicos, econômicos, políticos, culturais, etc. seja possível. Aludo com isso ao problema da chamada ‘brecha digital’ que constitui um dos grandes desafios do século recente começado particularmente se é pensada em relação com outras brechas como a alimenticia, a educacional e a brecha em saúde. A brecha digital pode ter consequências patológicas de diversos tipos e calibres, como ser a exclusão de processos de socialização tanto no âmbito da vida privada como no da educação, da economia e da política. Isto pode suceder tanto em sociedades nas quais as TICs pertencem a um modelo normal de vida, como em sociedades em que os indivíduos estão digitalmente marginalizados. A Medicina 2.0 deve tomar consciência deste problema e fazer estudos locais e globais a esse respeito.


II.5 A corporeidade humana

    As duas dimensões de espacialidade e temporalidade têm um significado determinando para a experiência da corporeidade humana. No alemão há duas palavras para o conceito de corpo: “Körper” que designa algo inanimado e “Leib” que designa o corpo animado. O corpo humano animado (“Leib”) - e com graus diversos de diferença também todo o corpo vivente - tem a característica de poder estender em forma mais ou menos ampla, variando isso individualmente, no âmbito do espaço-temporal, não reduzindo-se portanto ao volume físico ocupado (“Körper”). Os limites do meu ser - corporal são, de acordo com Boss, “idênticos aos limites de minha abertura mundial.” (Boss 1975, 278). Segundo Boss, o estresse é uma forma de hipertensão ou sobrecarga de possibilidades existências que pode levar, por exemplo, a diversas formas de depressão. (BOSS 1975, 455-461).

Um estudo ainda em curso dedicado à mudança demográfica e à prevenção médica no domínio das TIC patrocinado pelo Ministério Federal para a cultura e pesquisa na Alemanha e o Fundo Social Europeu no âmbito do programa sobre "capacidade de inovação no mundo moderno do trabalho" (DIWA- IT, 2009) mostra que uma grande parte dos jovens pesquisados não podem se imaginar trabalhando até a sua aposentadoria expostos a um estresse permanente. Isso mostra não somente que no final do dia estão cansados, mas que perdem gradualmente o controle de si mesmos em um sistema no qual a pressão para alcançar os objetivos imposto se nem a um estar ligados digitalmente a sua empresa 24 horas por dia e 7 dias por semana, de acordo com a fórmula 7x24. A comunicação digital os obriga a responder imediatamente a todos os tipos de perguntas e pedidos de informação, bem como um sistema de controlo do trabalho. Esta bão é somente uma forma extrema de sobrecarga de informação incluindo um ”sobrecontrole" que conduz a uma perda de autoconfiança quando o "sobrecontrole" é contraproducente para simular algo que não tem lugar (Holzapfel 2009).  Os recentes suicídios na indústria francesa são uma indicação clara desta situação trágica.

A visão do corpo humano como um conjunto de dados digitalizáveis referida no primeiro parágrafo é evidentemente reducionista que traz conseqüências tanto para a auto-percepção de perturbações ou desconfortos por parte do paciente que agora também é um agente, como por parte do médico que o trata ou com os quais ele interage. No cotidiano, o usuário da rede pode ter vários tipos de problemas orgânicos causados pela sua dependência da Internet, desde a falta de movimento com consequências de maior ou menor grau no caso de endurecimento muscular até um ostracismo físico-psíquico em um ambiente que paradoxalmente permite um intercâmbio global e (na maioria dos casos) não censurado. Um exemplo deste fenômeno é demonstrado pelo diretor austríaco Michael Haneke no filme  "Benny's Video" (Capurro 1995).

Neste contexto, é importante indicar também as consequências ecológicas e a saúde de milhares de pessoas, especialmente nos países em desenvolvimento que se convertem em receptores de resíduos de natureza extremamente tóxicos dos produtos digitais, como rádios, televisores, computadores portáteis, telefones celulares ou iPods (Faulhaber/Zehle 2009). Cada lesão física implica sempre uma perturbação na relação com os outros em um mundo compartilhado. Toda dor corporal individual está relacionada à dita existência comum e revela uma forma de nosso "poder-ser-feridos" e da responsabilidade ético-médica pelo outro. O estudo da patologia da sociedade da informação tem de analisar em detalhe diferentes formas corporais de transtornos que, embora não se distingam necessariamente daqueles provocados pela sociedade industrial, se podem ter causas específicas resultantes das TICs e de sua inserção social e ecológica.

A Medicina 2.0, com uma visão holística do corpo humano (Leib) na sociedade da informação, não poderia esquecer que as dores corporais estão estreitamente relacionadas com as 'dores da alma' (a tristeza, a angústia etc.). A existência humana é caracterizada por estar sempre em algum Estado de animo ou sentimento que não é algo meramente subjetivo, mas que nos permite experimentarmos a nós mesmos, aos outros e ao mundo compartilhado a partir de dimensões e perspectivas diferentes. Um grande amor ou um grande ódio não nos deixam necessariamente ficar cegos, eles muitas vezes fazem-nos ver algo muito claramente. Com esses sentimentos estamos mais “próximos de nós” do que no caso de, por exemplo, a raiva, que nos faz sairmos de nós mesmos ou nos faz “perder a paciência”'.


II.6 Os sentimentos

    Outros sentimentos como angústia nos abrem a diferentes dimensões do ser-no-mundo para experimentar uma perda de fundamentos nas coisas do mundo e deixar ver o abismo em que se enraíza paradoxalmente nossa existência. O descobrir e aceitar a situação da nossa mortalidade não significa necessariamente uma visão trágica da vida. A sociedade da informação revelada ou comunica muitas vezes a morte do outro por exemplo em situações de extremo sofrimento e luta pela justiça, permitindo novas formas de movimentos de libertação social e política, mas proporciona também oportunidades para reforçar a opressão, o controle e a censura. Os fenômenos positivos e patológicos da sociedade da informação no que diz respeito aos sentimentos são múltiplos e variam entre formas como ser a da comunicação autonoma e interactiva até situações de dependência, assédio moral, auto-destruição, voyeurismo e exibicionismo ao que já me referi anteriormente.

Estas dimensões da existência humana têm de ser vistas como formando originalmente o contexto e suporte da liberdade humana entendendo por ela a capacidade de escolher diversas formas de existir sem que a dita liberdade seja absoluta e igual para todos e em todo tempo. Com outras palavras, uma reflexão sistemática sobre a patologia da sociedade da informação deve levar em consideração as diversas modalidades que constrói a liberdade individual e socialmente no ambiente digital. Uma visão terapêutica não pode ser restrita a cura dos sintomas, mas, tem de investigar o entrelaçamento complexo da sociedade, mundo e técnico (digital).  Mais ainda, ela deve considerar os requisitos tecnológicos tendo em conta vários contextos ecológicos, culturais, políticos e econômicos.


CONCLUÇÃO: POR UMA ÉTICA DA MEDICINA 2.0


    Não somente a ciência, mas também a prática médica mudou e vai continuar a mudar radicalmente no âmbito da sociedade da informação o que o que se faz necessário um trabalho cuidadoso na revisão de métodos e conceitos, bem como de estruturas institucionais de pesquisa e prática médicas, dos processos industriais que são delas derivados, das relações médico-paciente, da autonomia de ambos, da visão das terapias e prevenções, da qual pode entender no futuro como doença ou saúde e das possibilidades de automodelagem do ser humano na sua complexidade psicofísica. A medicina como ciência e técnica terapêutica passa então a ser parte da relação entre o homem, mundo e técnicas digitais o que demanda uma reflexão filosófica desta relação na perspectiva de uma patologia, terapêutica e uma ética médica.

Esta breve exposição dos condicionamentos digitais da medicina, bem como as potenciais consequências de uma análise da patologia da sociedade da informação sublinha a necessidade de uma reflexão ética. É evidente que, frente da dinâmica de transformação social e os avanços científicos e tecnológicos a reflexão ética que parte de princípios tais como a proteção da dignidade humana, a autonomia, a privacidade, o meio ambiente, liberdade de pesquisa, de comunicação etc. se vê obrigada a um esforço permanente para a reinterpretação desses princípios e valores subjacentes e suas possíveis prioridades tendo como base diversos tipos de critérios éticos, como os utilitaristas ou deontológicos.

É igualmente claro que dita reflexão ética deve ser feita em diversos níveis, como o acadêmico, integrado aos grupos de ética nas instituições políticas ou profissionais, por exemplo, os institutos de pesquisa ou hospitais,  e, naturalmente em nível da vida privada do cotidiano utilizando apenas dos meios que dão origem aos sintomas patológicos que acabamos de expor. Esta reflexão também é necessária em vistas a terapias e atividades preventivas que tentam ver para além dos sintomas buscando opções para uma sociedade da informação sustentável, isto é, que não esteja em oposição com os processos naturais que finalmente são aqueles que permitem a vida humana e não humana neste planeta.

Por último, a reflexão ética sobre a sociedade da informação deve permanecer crítica diante das modas (ou 'hypes') que surgem inevitavelmente quando uma descoberta ou invenção parecem abrir a via regia para superar, por exemplo, o cancer, a doença de Alzheimer ou AIDS. É igualmente importante que a reflexão ética tenha lugar ao nível da escola primária adaptando-lhe pedagogicamente para que as novas gerações aprendam a não se deixar dominar pela sobrecarga de informação e a diversas opções que pervertem o sentido de uma vida personalizada e relacionada com os outros um mundo comum. Este é o significado da antiga 'técnica da vida' retomada por Michel Foucault o conceito de "tecnologias do eu" (Foucault 1988) e que deveriamos retomar no contexto da sociedade da informação (Capurro 1995). Se, como escreve Ortega, o estar no mundo do homem "é inseparável de seu esforço de estar bem", sendo a técnica que nos permite pensar a vida como bem estar (Ortega 1965, 26), podemos perguntar em que medida a técnica digital nos ajuda ou nos desgasta físicamente no esforço chegar a uma vida boa.

A ética deve abster-se de dar receitas de felicidade, coisa que fazem um grande numero de publicações o que se pode chamar de indústria do bem estar ('wellness'). A finalidade da ética é convidar a refletir criticamente sobre diversas opções deixando livre a decisão do indivíduo tanto na sociedade civil e no campo político. Este convite à liberdade é a base da ética médica e psicoterapéutica segundo Medard Boss que, referindo-se a Martin Heidegger, distingue entre um "cuidado pelo outro" ("Fursorge") desde um extremo em que dito "cuidado" tem tendência a ficar no lugar de outro, até extremo de deixa-lo aos outros o seu próprio cuidado  (Boss 1977, 31-32; Heidegger 1976, 122).


Nesta perspectiva pode-se dizer que a sociedade dos meios de comunicação de massa do século XX tinha tendencia para remover ao outro sua liberdade, enquanto a sociedade da informação do século XXI busca ou deveria buscar o contrário. Nessa tensão, sem duvida não é somente a Medicina 2.0, mas também, uma análise da patologia da sociedade da informação. Ambas devem ter em mente que um mundo globalizado é essencial um diálogo intercultural tanto em nível dos valores e princípios éticos, bem como de diferentes formas de auto-medicina bem como das sociedades da informação baseado em várias tradições e singularidades históricas. O que nos une ou deveria nos unir tanto teórica como pragmaticamente são sem dúvida, os Objetivos de Desenvolvimento do Milênio das Nações Unidas como a Declaração de Princípios e o Plano de Ação do Cimeira Mundial sobre a Sociedade da Informação (WSIS). Estes objetivos e princípios mostram sem duvida o reverso de uma patologia da  sociedade da informação sem ser assim nem homogeneizadores, nem ideológicos, nem utópicos.
São simplesmente humanos. 


AGRADECIMENTO

Agradeço a Oscar Krütli (Prov. de Córdoba, Argentina) e José María Díaz Nafría (León, España) por suas inestimáveis críticas a este texto. Agradeço também a tradução para o português feita por Virginia Bentes Pinto (Fortaleza, Brasil).

 

BIBLIOGRAFIA

 

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[1] Este termo não deve ser confundido com a tese metafísica que postula que o ser das coisas, não apenas a possibilidade de seu entendimento é de carater digital, na natureza, o que poderia ser designado também como pitagorismo digital (Capurro 2008, 2006). Além disso, a absolutização do projeto digital ontológico na forma de uma metafisica digital pode levar a formas de 'cibergnose' ou seja, pseudo-religiosas de conceber o ciberespaço.

[2] Tanto a estrutura e as categorias que uso para a continuação como "ser-com-outros" ou "ser-no-espaço", são Heideggellianas, sendo utilizadas por Boss para a sua fundamentação da medicina. Para uma discussão mais detalhada desta fundamentação filosófica veja (Capurro 2000).


Last update: 19 de maio de 2014

 
 
     

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